O número de internamentos indevidos nos hospitais portugueses agravou-se desde março. A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares pede respostas urgentes.
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A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) alertou que "o número de internamentos indevidos nos hospitais agravou-se desde março". O aviso foi deixado esta terça-feira, dia 2 de junho, pelo presidente da direção da APAH, Xavier Barreto, durante uma audição na comissão parlamentar de saúde, realizada na Assembleia da República, em Lisboa, a pedido do PS.
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Face à atual conjuntura de pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde, a associação "pediu respostas urgentes no terreno e um reforço das equipas de cuidados domiciliários" para mitigar o bloqueio de camas nas unidades hospitalares.
Tendência inverte comportamento habitual no verão
Os dados mais recentes recolhidos junto dos hospitais indicam que a pressão sobre o internamento não deu tréguas com o fim das estações frias. “Nos últimos dois meses, a situação dos internamentos inadequados agravou-se e as 2.800 [camas ocupadas indevidamente] que estimávamos em março é já bastante superior", anunciou Xavier Barreto em sede parlamentar.
O líder da APAH chamou a atenção dos deputados para a anomalia desta tendência no atual período do ano, sublinhando que "isto não é normal, pois normalmente tínhamos uma redução no verão, o que não está a acontecer”.
Recorde-se que o último Barómetro dos Internamentos Sociais da APAH, cujos dados foram tornados públicos em março, apontava para a existência de "2.807 (+19%) pessoas internadas nos hospitais apesar de terem alta clínica". Na altura, a permanência destes doentes sem critérios clínicos de internamento representava uma fatura cujo "custo para o Estado ultrapassava os 350 milhões de euros".
Impacto financeiro real está subestimado
Durante a sua audição na comissão de saúde, Xavier Barreto explicou que os indicadores económicos divulgados anteriormente pecam por defeito. O responsável setorial afirmou que o impacto financeiro de "350 milhões de euros" está, na verdade, "subestimado".
Esta distorção nos indicadores oficiais decorre do método de cálculo aplicado. O presidente da APAH esclareceu que a estimativa "apenas contabiliza os custos diretos e baseia-se numa tabela de valores desatualizada". Diante deste cenário, o especialista foi categórico ao afirmar que “o custo real será bastante superior” para os cofres públicos.
Administradores exigem reforço dos cuidados no domicílio
Como solução para inverter a atual crise de vagas no internamento, a associação representativa dos administradores hospitalares defende uma reestruturação profunda e imediata no destino dado aos doentes após a alta. Xavier Barreto aludiu à "urgência de respostas no terreno, sobretudo no domicílio, com reforço das equipas de cuidados continuados domiciliários".
A estratégia proposta assenta na premissa de que o modelo de prestação de cuidados de saúde "deveria migrar mais para o domicílio e para mais cuidadores informais". Contudo, o dirigente alertou que a transição de modelo exige uma dotação orçamental condigna por parte do Governo. “Estes passos devem ser sustentados com mais investimento e mais recursos. Só com o que temos não vamos lá”, concluiu.
Fonte: www.averdade.com