Mais do que revisitar um dos episódios mais trágicos da história contemporânea, o espetáculo procurou colocar o público perante uma questão que permanece atual: o que acontece quando as pessoas deixam de ser vistas pela sua identidade e passam a ser reduzidas a números, categorias ou rótulos.
A dramaturgia de “Onde cada número volta a ter um nome” ficou a cargo de Rita Melo, que dividiu também a encenação com Sofia Ribeiro. A proposta encontrou no teatro uma forma de aproximar a memória histórica das preocupações do presente, numa criação que teve como protagonistas duas dezenas de jovens.
A apresentação deste novo trabalho surgiu num percurso que tem dado crescente visibilidade à companhia de Frazão e Arreigada. A Oficina de Teatro tem participado em diferentes iniciativas e festivais da região e apresentou, entre outras criações, “Submerso”, uma adaptação da história do Titanic que passou pela Casa da Cultura de Paredes em 2023. Também em 2025, o grupo marcou presença no Festival de Teatro Fernando Santos, em Freamunde, com “Há verdade no delírio?”, depois de já ter levado “Submerso” ao mesmo festival.
A atividade do grupo não se limitou, entretanto, aos grandes festivais. A Boca de Cena integrou também a programação cultural das Festas da Vila e de São João de Frazão, onde apresentou este ano “Mesa para Cinco”, uma criação centrada nos comportamentos e papéis sociais presentes no quotidiano.
Com “Onde cada número volta a ter um nome”, o grupo voltou a colocar os jovens no centro da criação artística e encontrou no palco uma forma de transformar a memória do Holocausto numa reflexão sobre o presente. A presença da vereadora da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, Andreia Nunes, e do presidente da Junta de Freguesia de Frazão, Joaquim Sérgio, acompanhou uma iniciativa que cruzou cultura, memória histórica e participação comunitária.

Fonte: www.novumcanal.pt